top of page

Golpe do falso advogado: como reconhecer a fraude e o que fazer se você já pagou

Foto do escritor: Borges Ponce
Borges Ponce
há 1 dia
4 min de leitura

Uma mensagem chega com a foto do advogado, o número correto do processo e a notícia de que existe dinheiro para receber. Em seguida, surge a exigência de um Pix urgente para liberar o valor. Essa é uma das abordagens usadas no golpe do falso advogado.



Criminosos se passam por profissionais ou integrantes de escritórios e exploram a confiança de quem aguarda uma decisão judicial. As orientações da Polícia, da OAB e do Banco Central ajudam a identificar a tentativa e a organizar uma reação rápida.


Como a fraude costuma acontecer


O contato pode usar nomes, fotografias, logotipos e informações verdadeiras de processos. A presença desses dados dá aparência de legitimidade à conversa, mas não confirma quem está do outro lado. Golpistas também podem se apresentar como servidores da Justiça ou intermediários responsáveis por pagamentos.


A promessa geralmente envolve o recebimento de uma indenização ou de valores do processo. A cobrança é apresentada como uma providência indispensável e urgente. A pressão para pagar antes de confirmar as informações é um dos sinais que merecem mais atenção.


Sinais de alerta para interromper a conversa


  • Mensagem de número desconhecido, ainda que o perfil use o nome e a foto do seu advogado.

  • Cobrança urgente de Pix, boleto ou transferência para suposta liberação de dinheiro.

  • Pedido para compartilhar a tela do celular, especialmente durante acesso ao aplicativo bancário.

  • Solicitação de senha, código de autenticação, dados de cartão ou instalação de aplicativo.

  • Documento com aparência oficial apresentado como prova suficiente de uma cobrança.


A OAB também alerta para o uso de recursos capazes de imitar voz e imagem. Por isso, reconhecer uma voz ou receber um vídeo não dispensa a confirmação por um canal que você já conheça.


Confirme pelo contato que você já possui


Antes de pagar ou enviar documentos, encerre a abordagem e procure seu advogado pelo telefone informado na contratação ou por outro canal oficial previamente conhecido. Evite usar como única referência o número, o link ou o contato fornecido pela pessoa que fez a cobrança.


Peça que o escritório confirme a informação sobre o processo, a finalidade de eventual pagamento e os dados do destinatário. A conferência precisa ocorrer antes da transferência.


Honorários e despesas processuais legítimos devem ser esclarecidos com o profissional responsável. Uma cobrança recebida por mensagem, por si só, não comprova sua origem nem autoriza concluir que o dinheiro deve ser transferido para a conta indicada.


Suspeitou do golpe? Preserve as provas


Guarde as mensagens e os arquivos recebidos antes de denunciar e bloquear o contato. Evite apagar a conversa. Registre o número completo utilizado e mantenha cópias dos documentos que possam ajudar na apuração.


  • Capturas de tela com mensagens, datas e dados do contato.

  • Áudios, documentos, supostas guias e arquivos enviados durante a abordagem.

  • Chaves Pix e dados bancários informados pelo suspeito.

  • Comprovantes de pagamento e protocolos de atendimento, se houver.


Avise o advogado verdadeiro sobre o uso indevido de sua identidade. A comunicação à OAB também pode auxiliar o encaminhamento da denúncia e a prevenção de novas abordagens.


Se você já fez um Pix, fale com o banco imediatamente


Entre em contato com sua instituição pelos canais oficiais, relate a fraude e peça a avaliação do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Segundo o Banco Central, o pedido relacionado a fraude no Pix pode ser registrado em até 80 dias da transação. Esse prazo não é motivo para esperar: procure atendimento assim que perceber o golpe.


O MED permite a análise da ocorrência e a tentativa de recuperação dos recursos, mas não garante restituição. A devolução pode ser integral, parcial ou não ocorrer, conforme a avaliação e os valores disponíveis nas contas envolvidas.


Se o pagamento foi por boleto ou outra modalidade, informe também o banco imediatamente e solicite orientação sobre as medidas cabíveis. Guarde os protocolos de atendimento e os comprovantes.


Registre a ocorrência e observe a legislação atual


Procure a Polícia Civil, por uma delegacia física ou pelo serviço eletrônico oficial disponível. Apresente as provas e descreva como ocorreu a abordagem, quais dados foram utilizados e se houve prejuízo. Quem sofreu a perda deve relatar sua própria situação, mesmo que o escritório também tenha comunicado o uso indevido de sua identidade.


O registro policial e a contestação bancária são providências distintas e devem ser iniciadas em paralelo.


Uma pausa para confirmar pode evitar o prejuízo


A orientação central é simples: confirme a identidade e a cobrança por um contato que você já conhece antes de pagar. Compartilhe esse cuidado com familiares que aguardam valores judiciais e ajude a manter os canais de contato organizados.


Este artigo tem caráter informativo. As medidas aplicáveis e a possibilidade de recuperar valores dependem das circunstâncias e das provas de cada caso.


Referências:

 
 
 

Comentários


bottom of page